Palavra de Treinador
De olho nas Olimpíadas, Paulo Autuori ainda não pensa em volta ao Brasil

Douglas Sato
Especial para o site da FPF


Campeão por diversos times por onde passou, Paulo Autuori de Mello, mais conhecido como Paulo Autuori é um treinador de futebol, que diferentemente da maioria dos técnicos, não foi atleta antes de trabalhar com futebol. Iniciou sua jornada no futebol atuando como preparador físico em pequenos clubes até virar treinador e comandar grandes equipes brasileiras, chegando inclusive a comandar seleções internacionais como do Peru e Qatar.

Vítima de uma poliomielite quando criança, doença que o impossibilitou de ser um jogador de futebol, Paulo adentrou no campo teórico para continuar o seu sonho em ter uma carreira nas quatro linhas. Formou-se em Educação Física pela Universidade Castelo Branco e em Administração Esportiva pela PUC (RJ) e graduou-se também no Curso de Treinadores de Futebol, mestrado na UERJ.

Na década de 70, teve sua primeira experiência no futebol como preparador físico, cuidando dos atletas da Portuguesa (RJ). A partir daí colecionou passagens por times de menor expressão do cenário carioca, adquirindo com isso bastante experiência. No final dos anos 80, cuidou da preparação física do Botafogo (RJ) e posteriormente, transferiu-se para o futebol português, mais especificamente no Vitória de Guimarães (POR).

Em Portugal, Paulo passou por vários clubes, mas se destacou no Nacional da Ilha da Madeira e após realizar um bom trabalho na preparação do time Português recebeu o convite para ser treinador da equipe profissional. Em 1995, retornou ao Brasil, para assumir o Botafogo (RJ) e numa campanha marcante levou o time carioca ao titulo do Campeonato Brasileiro.

Em 1997, depois de uma passagem meteórica pelo Benfica (POR), o treinador foi contratado para assumir o Cruzeiro. Em Belo Horizonte, fez história trazendo para a Toca da Raposa um Campeonato Mineiro e a Taça Libertadores da América. O bom trabalho no time mineiro rendeu frutos, Autuori foi convidado para assumir o Flamengo (RJ). No time da Gávea em 1998, Paulo não conseguiu repetir os mesmos resultados do Cruzeiro (MG) e após um discreto estadual pelo Flamengo acabou deixando o clube.

Na sequência, Autuori foi atuar no futebol peruano, onde dirigiu alguns times e conseguiu bons resultados recebendo até o convite da Seleção Peruana, no qual permaneceu de 2003 até 2005. No final de 2005, Autuori foi sondado por grandes clubes, mas o São Paulo saiu na frente e contratou o comandante no projeto audacioso da Libertadores da América do mesmo ano. Na equipe do Morumbi, Autuori foi ovacionado, além de trazer a Taça Libertadores da América de 2005 conquistou no mesmo ano o Mundial de Clubes da FIFA, no Japão.

Depois da ótima passagem pelo time paulista, Paulo também treinou o Kashima Antlers (JAP) e o Grêmio (RS). Em 2010, assumiu o comando do Al-Rayyan, do Qatar e atualmente comanda a Seleção Olímpica deste país.

FPF: Como foi o seu inicio no futebol?
Autuori:
Tinha o sonho de ser jogador de futebol, mas ainda muito novo, tive de interromper porque tive poliomielite. O dia a dia de internações e fisioterapia acabaram me aproximando ainda mais do futebol, já que tinha contato com médicos e professores de educação física. Acabei me interessando bastante pela parte teórica do esporte e me formei em Educação Física, já com o objetivo de trabalhar com futebol. Depois fiz administração esportiva e o curso de treinador.

FPF: Como foi a experiência de trabalhar como preparador físico?
Autuori:
Muito rica. Trabalhar na preparação física me deu uma visão mais abrangente do esporte.

FPF: Como você analisa o início da sua passagem por Portugal?
Autuori:
Foi um período muito importante. Tive experiências internacionais logo no início da carreira e acredito que isso abriu os horizontes. Sempre procurei ver o futebol de maneira mais ampla e pude trabalhar na Europa, Brasil, Ásia e Oriente Médio. Então, são experiências que agregam um conhecimento maior sobre o esporte. Além disso, conseguimos levar o Nacional da Ilha da Madeira à Primeira Divisão portuguesa pela primeira vez em sua história em 1987/88 e classificamos o Marítimo pela primeira vez para uma copa européia (UEFA) em 1992/93. Foram campanhas que ficaram marcadas nos clubes e na minha carreira.

FPF: O que representa para você ter conquistado o último titulo Brasileiro do Botafogo (RJ), em 1995?
Autuori:
Foi meu primeiro grande título de expressão e que acabou abrindo para mim o mercado brasileiro, já que não era muito conhecido no país. Foi uma conquista difícil, de superação. Tivemos muitos problemas no caminho, mas soubemos passar por cima para buscar o título inédito para o clube. Foi uma conquista muito marcante.

FPF: No Cruzeiro você conquistou o Campeonato Mineiro e a Copa Libertadores da América em 1997. Em 2007, na sua segunda passagem pelo clube o que havia de diferente em relação ao time vitorioso que você comandou em 1997?
Autuori:
São momentos muito diferentes e não gosto de fazer comparações.

FPF: Como foi a sua experiência pelo futebol Peruano?
Autuori:
Foram quatro anos muito importantes no Peru. Consegui ser campeão pelos dois principais clubes, sendo que pelo Alianza Lima, no ano do centenário do clube. Como disse, sou um apaixonado pelo futebol e procuro enxergá-lo de maneira mais ampla. Dirigir a seleção peruana foi uma grande experiência, porque foi minha primeira oportunidade numa seleção nacional. Além disso, passei um dos momentos mais difíceis da carreira tendo que enfrentar o Brasil pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006.

FPF: Como você analisa a sua passagem pelo São Paulo?
Autuori:
O São Paulo é um grande clube, acostumado com as vitórias e conquistas. O clube se organizou e preparou muito para atingir esses objetivos. Foram títulos dificílimos, mas merecidos por tudo o que a direção e os jogadores fizeram.

FPF: Qual foi o diferencial para vencer o Liverpool (ING), no Mundial de Clube da FIFA de 2005?
Autuori:
Nosso grupo estava preparado para ser campeão. Sabíamos obviamente que não seria fácil. O Liverpool era, e ainda é, um time muito qualificado. Mas fizemos uma preparação especial já antes do fim do Campeonato Brasileiro visando a disputa do Mundial e deu certo. Os jogadores foram os protagonistas.

FPF: Qual foi o seu maior desafio como treinador de futebol?
Autuori:
Ser treinador de futebol é um desafio diário. Mas, acredito que o próximo desafio que enfrento é sempre o mais difícil.

FPF: Finalizando, quais os seus planos para o futuro? Você tem planos de treinar alguma equipe Brasileira em 2012?
Autuori:
Tenho contrato com a seleção do Qatar e, no momento, minha concentração está voltada para o time nos Jogos Olímpicos.

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