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Convidado para ser diretor de arbitragem, Cel. Monção volta à FPF

Marcos Teixeira
Especial para o site da FPF


O novo diretor da Escola de Árbitros Flavio Iazzetti, da Federação Paulista de Futebol, Coronel Nilson de Souza Monção, é um homem de trato fácil. Militar de formação resolveu enveredar pelo futebol quase que por acaso, quando era Capitão do Exército e trabalhava em um quartel de Taubaté, na região do Vale do Paraíba.

“Era capitão de um quartel em Taubaté e um observador (senhor Kalil) pediu para apitar uma partida de futebol infantil. Fui, apitei e ele falou que eu tinha jeito para a coisa”, disse o Coronel, que prosseguiu. “Ele me passou as informações de como proceder e eu me inscrevi, passei no curso, gostei e o seu Abel Barroso Sobrinho, que era da comissão de arbitragem, me sugeriu que fosse bandeira. Como sempre segui os conselhos dos mais velhos, me tornei bandeirinha”, disse.

Como assistente de arbitragem, Monção já participou de duas decisões do Campeonato Paulista. Em 2001, no título corintiano contra o Botafogo, e em 2006, quando o Santos sagrou-se campeão ao vencer a Portuguesa na Vila Belmiro. Estas partidas integram o rol de momentos marcantes na carreira do então assistente. “Em 2001, Botafogo e Corinthians fizeram a primeira partida em Ribeirão Preto, que foi 3 a 0 para o Corinthians e os três gols saíram do meu lado. Depois fiz não a final, mas o jogo do título*, na Vila Belmiro. O Santos tinha que ganhar para ser campeão e a Portuguesa, para não ser rebaixada, e o Santos ganhou por 2 a 0”.

*Nota da Redação: O Campeonato Paulista de 2006 foi disputado por pontos corridos.

Outros momentos marcantes apontados foram as estreias na Série A1 do Campeonato Paulista e no quadro da CBF. “Nessa história, nessa minha trajetória, marcou bastante minha estreia na Série A1 e meu primeiro jogo na CBF”, afirmou, com os olhos brilhando, para depois prosseguir. “Na Série A1, em 2000, foi em Campinas, em um Guarani e União Barbarense, que acabou 1 a 1, e correu tudo normal. Pela CBF foi a minha chamada para fazer o teste físico e a minha entrada foi na Copa João Havelange, em um Cruzeiro e Atlético Paranaense, que também ficou 1 a 1”, lembrou.

Agora em uma função diretiva, Monção tem acompanhado a evolução da arbitragem. “Tudo o que é feito para melhorar a arbitragem é bem-vindo. Agora, temos que ver como será feito. Tem que ver o que é normal e anormal, o que é aceitável ou não. Cinco centímetros? Dez? Será que o olho humano é capaz de ver isso? É complicado”, disse.

Ainda sobre o tema, a preocupação do coronel é se o uso de recursos eletrônicos criaria duas classes no esporte. “Agora, a questão do olho biônico, vai ajudar, mas tem que ver como vai ajudar. Como seria em lugares, em países, que não dispõem de recursos para a implementação disso. Como seria feito? Vai padronizar? Vai haver dois esportes dentro do mesmo esporte? O futebol é muito dinâmico. Pode ser um lance numa área e a bola já está na outra área”, sentenciou.

Uma vez que o futebol tornou-se mais dinâmico, é necessário que os árbitros estejam preparados para acompanhar esta evolução. E o aprimoramento físico é essencial, segundo Monção. “Até 2006 o teste físico era um cooper. A partir daí passou a ser maior a exigência, com situações de jogo, como uma sequência de 20 tiros de 50 metros”, comentou.

Para ele, a disciplina é fundamental. Tendo como base de formação, além da disciplina, a hierarquia, considera ser possível transmitir tais conceitos para outros setores. “Dá para transmitir os valores militares. Imagine uma casa ou um trabalho sem disciplina, sem regras. O pessoal confunde o mundo militar com regras, disciplina. É também, claro, mas em todos os setores é necessário, senão não é possível trabalhar. É preciso ter uma hierarquia. Nossa base é disciplina e hierarquia. Se você conseguir adaptar essas regras para o mundo civil, o trabalho se torna mais perfeito”, salientou.

O Coronel Monção aproveitou para enaltecer o trabalho do colega Coronel Marcos Marinho à frente da arbitragem paulista. “É muito bom o trabalho que foi feito pelo Coronel Marinho. Ele assumiu em um momento difícil da arbitragem e hoje está muito melhor do que estava”, elogiou.

Empolgado com seu retorno ao futebol, ele considera que sua experiência como instrutor no Exército facilitará sua adaptação à nova função, a de diretor da Escola de Árbitros Flávio Iazzetti. “Estou começando a me inteirar do calendário, das oficinas, de como é a escola. Já trabalhei também no Exército, na escola de aviação para pilotos de helicóptero. Lá existe, desde 1988, uma escola de aviação e eu participei também deste processo. As expectativas para este trabalho na FPF são as melhores possíveis e tenho certeza de que o trabalho será muito bom”.

Essa é a expectativa de um homem que entrou no futebol quase sem querer, mas que tomou gosto e continua no meio. “Temos vários sonhos. Quando deixei a carreira de árbitro, logo depois fui convidado para ser assessor de árbitros pelo Coronel Marinho e aceitei prontamente, e agora, na função de diretor, terei conhecimento também da estrutura, além do campo de jogo. Portanto é mais um sonho realizado e espero corresponder plenamente”. Com o mesmo brilho nos olhos de quando contou sobre seu início na arbitragem, Coronel Monção concluiu. “Se acabar de sonhar, o homem já terá, de certa forma, morrido, apenas cumprindo tabela na vida”.

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